O subescapular é o maior músculo da porção anterior da coifa dos rotadores. O seu tendão participa na rotação interna do braço e contribui para a estabilidade do ombro. Quando sofre uma rotura, podem surgir dor, perda de força e dificuldades em movimentos do quotidiano. No entanto, os sintomas variam e nem todas as lesões exigem cirurgia.
O músculo subescapular ocupa a face anterior da omoplata e insere-se principalmente na pequena tuberosidade do úmero. Em conjunto com os restantes tendões da coifa dos rotadores, ajuda a centrar a cabeça do úmero durante o movimento. A sua relação anatómica com a longa porção do bicípite é importante: algumas roturas do subescapular podem coexistir com alterações da estrutura que estabiliza este tendão.
A apresentação clínica depende da extensão da lesão, do mecanismo em que ocorreu e da existência de outras alterações do ombro. Entre os sintomas possíveis encontram-se:
Nenhum destes sinais permite, isoladamente, confirmar uma rotura. Algumas pessoas mantêm boa mobilidade apesar de terem uma lesão estrutural.
Uma rotura do subescapular pode surgir de forma traumática, por exemplo após uma queda ou um movimento forçado de rotação externa do ombro, ou desenvolver-se progressivamente num tendão com alterações degenerativas. Também pode fazer parte de uma rotura mais extensa da coifa dos rotadores.
Quando existe um traumatismo recente acompanhado de perda acentuada de força, a avaliação atempada por um especialista é particularmente relevante, porque a duração da lesão e a qualidade do tendão podem influenciar as opções terapêuticas.
O diagnóstico começa com a história clínica e o exame objetivo. É importante avaliar a mobilidade, a força, a localização da dor, o mecanismo da lesão e o impacto nas atividades habituais.
Podem ser utilizados testes como o belly-press, bear-hug e lift-off, que avaliam diferentes aspetos da função do subescapular. No entanto, a investigação científica mostra que nenhum teste isolado tem sensibilidade suficiente para excluir todas as roturas. Por isso, os achados têm de ser interpretados em conjunto com a história clínica e, quando indicado, com exames de imagem.
A ecografia musculoesquelética e a ressonância magnética são exames utilizados para estudar os tendões da coifa dos rotadores. A escolha depende da suspeita clínica, da experiência do examinador e da informação necessária para planear o tratamento. Em alguns casos, sobretudo nas lesões parciais, a interpretação exige particular atenção. O exame pode também identificar alterações associadas da longa porção do bicípite.
Não. A decisão depende da dimensão e características da rotura, do mecanismo de aparecimento, da retração do tendão, das restantes lesões presentes, da função do ombro e dos objetivos do doente.
Em situações selecionadas, sobretudo perante lesões menos extensas e sintomas controláveis, pode ser apropriado iniciar tratamento não cirúrgico. Este pode incluir adaptação temporária de atividades, controlo da dor e um programa individualizado de fisioterapia, orientado para recuperar a mobilidade e melhorar a função.
A cirurgia pode ser considerada quando existe uma rotura traumática significativa, perda de função relevante, características da lesão que favoreçam a reparação ou persistência de sintomas após tratamento adequado. A avaliação é sempre individual e não depende apenas do relatório da ressonância magnética.
Quando existe indicação para reparação, esta pode ser efetuada por artroscopia em muitos casos. O procedimento visa reinserir o tendão na sua zona anatómica de fixação no úmero, utilizando sistemas de sutura e âncoras. Se houver patologia associada da longa porção do bicípite ou de outros tendões da coifa, poderá ser necessário abordá-la no mesmo procedimento.
A técnica cirúrgica é escolhida de acordo com a morfologia da rotura, a qualidade dos tecidos e as restantes alterações identificadas. Para conhecer de forma geral a cirurgia da coifa, consulte também a página sobre sutura artroscópica da coifa dos rotadores.
Após uma reparação do subescapular, a reabilitação é progressiva e respeita os tempos de cicatrização tendinosa. O período de proteção inicial, os exercícios permitidos e o regresso ao trabalho ou ao desporto variam com a extensão da lesão, os procedimentos efetuados e a evolução clínica. A recuperação não deve ser apressada nem baseada num calendário único para todos os doentes.
Sim. A manutenção de alguns movimentos não exclui a existência de uma rotura, especialmente se a lesão for parcial ou coexistirem mecanismos de compensação.
Não. A dor anterior do ombro pode ter diferentes origens, incluindo alterações relacionadas com o bicípite, a articulação ou outras estruturas. É necessária uma avaliação clínica.
Não necessariamente. A indicação depende da história, do exame clínico e das decisões terapêuticas em consideração. A ecografia pode ser útil em determinados contextos.
Quando existe dor persistente, dificuldade funcional, perda de força, ou sobretudo após um traumatismo acompanhado de alteração marcada da função do ombro. Em caso de deformidade evidente, dor intensa após queda ou incapacidade súbita importante, procure avaliação médica sem demora.
A suspeita de rotura do subescapular deve ser enquadrada na avaliação global do ombro. Uma decisão terapêutica adequada considera o exame objetivo, os exames complementares quando indicados, as restantes lesões e as necessidades do doente. Conheça a atividade clínica de Luís Henrique Barros, consulte os contactos para marcação de consulta ou marque a sua consulta por WhatsApp.
Informação de caráter geral, que não substitui avaliação médica individualizada.