Depois de uma prótese do ombro, a recuperação é gradual e depende tanto da cirurgia como da reabilitação. Este artigo descreve, de forma geral, o que esperar nas diferentes fases. Os prazos variam de doente para doente e seguem sempre as indicações do cirurgião.
O internamento é, em regra, curto. Nos primeiros dias o objetivo é controlar a dor, proteger a cirurgia e iniciar movimentos suaves da mão, do punho e do cotovelo. O ombro mantém-se protegido com um suspensor braquial. A aplicação de gelo e a analgesia prescrita ajudam a controlar a dor e o inchaço. É normal surgir uma equimose (nódoa negra) que pode descer pelo braço.
| Fase | O que acontece |
|---|---|
| Primeiras 2 semanas | Suspensor, controlo da dor e do inchaço, movimentos da mão, do punho e do cotovelo. Mudança do penso e retirada dos pontos por volta das 2 semanas. |
| Até às 6 semanas | O suspensor mantém-se, podendo ser retirado para a higiene e para os exercícios. Inicia-se a reabilitação com movimentos passivos e assistidos, orientados pelo fisioterapeuta. |
| Depois das 6 semanas | Abandono progressivo do suspensor e início dos movimentos ativos, com maior amplitude. |
| Cerca de 3 meses | Fortalecimento muscular progressivo e regresso gradual às atividades diárias. |
| 6 a 12 meses | A força, a amplitude de movimento e o conforto continuam a melhorar. |
Para ver os exercícios, consulte o nosso guia de cuidados no pós-operatório de prótese do ombro.
Os princípios gerais são semelhantes, mas algumas restrições de movimento diferem consoante o tipo de prótese e a técnica cirúrgica. O cirurgião indica quais os movimentos a evitar em cada caso e durante quanto tempo. Saiba mais sobre os tipos de prótese do ombro.
Não existe um protocolo único de reabilitação após prótese do ombro. Uma revisão sistemática de 2026 sobre prótese invertida (7 estudos, 1606 ombros) concluiu que iniciar o movimento nas primeiras duas semanas melhora ligeiramente a amplitude de movimento nas primeiras semanas, sem aumentar as complicações. Aos 6 a 12 meses, os resultados eram semelhantes. Os autores sublinham que o momento ideal deve ser individualizado, por haver ainda pouca evidência de alta qualidade.1 Uma meta-análise de 2025 (6 estudos, 1763 doentes) apontou no mesmo sentido: pequenas melhorias iniciais com a mobilização precoce, sem mais luxações nem cirurgias de revisão.2 Por isso, o calendário indicado neste artigo é apenas uma orientação geral: o cirurgião define o plano mais adequado a cada caso.
Contacte a equipa médica se surgir:
Dor ou inchaço numa perna, ou falta de ar, exigem observação urgente.
Em regra, só depois de o suspensor ser retirado e de o braço ter controlo e força suficientes para conduzir em segurança. O cirurgião indica o momento adequado.
Muitos doentes dormem mais confortavelmente semissentados, por exemplo numa cadeira reclinável ou com almofadas nas costas, mantendo o suspensor. Evite deitar-se sobre o ombro operado.
Depende da profissão, do tipo de prótese e da evolução. Trabalho de escritório pode ser retomado mais cedo do que trabalho manual ou desporto, que exigem a recuperação da força e da amplitude de movimento. A decisão é individual.
A dor é mais intensa nos primeiros dias e diminui progressivamente com a analgesia, o gelo e o cumprimento da reabilitação. A maioria dos doentes refere melhoria clara da dor ao longo das primeiras semanas e meses.
Se está a ponderar uma prótese do ombro ou já foi operado e tem dúvidas, pode conhecer o Dr. Luís Henrique Barros ou consultar os contactos para marcar consulta.
Este artigo tem carácter informativo e não substitui a avaliação médica individual nem as instruções do seu cirurgião.