
Dor ao levantar o braço, perda de força ou dificuldade em realizar determinados movimentos podem levantar a suspeita de uma lesão da coifa dos rotadores.
No entanto, nem todas as roturas se manifestam da mesma forma. Então, como perceber se pode existir uma rotura?
A coifa dos rotadores é constituída por quatro músculos e respetivos tendões — supraespinhoso, infraespinhoso, subescapular e pequeno redondo — que envolvem a articulação do ombro e participam no seu movimento e estabilidade.
Uma rotura acontece quando existe uma lesão de um ou mais destes tendões.
Essa lesão pode ocorrer de forma traumática, por exemplo depois de uma queda ou de um movimento brusco, mas também pode desenvolver-se gradualmente à medida que o tendão sofre alterações ao longo do tempo.
Estas situações não são necessariamente equivalentes. A forma como a rotura surgiu, as suas características e o estado do tendão são alguns dos elementos importantes para decidir posteriormente qual a abordagem mais adequada.
Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa e dependem das características da lesão.
Entre as manifestações possíveis encontram-se:
Vestir uma peça de roupa, alcançar um objeto acima da cabeça, levantar um peso ou realizar determinados gestos durante a prática desportiva podem, por exemplo, tornar-se mais difíceis.
Não.
Uma rotura pode acontecer de forma súbita, nomeadamente após uma queda ou outro traumatismo. Nestes casos, pode surgir uma alteração evidente em relação ao funcionamento habitual do ombro.
Mas também existem roturas que se desenvolvem progressivamente. Com o passar do tempo, os tendões podem sofrer alterações na sua estrutura e tornar-se mais vulneráveis.
Isto significa que uma pessoa pode apresentar uma rotura sem se recordar de qualquer queda ou episódio específico que a tenha provocado.
Também pode acontecer que um tendão já fragilizado sofra uma rotura na sequência de um traumatismo relativamente pequeno.
Por isso, perceber como a lesão surgiu é uma parte importante da avaliação.
Nem todas as roturas têm a mesma extensão.
Numa rotura parcial, apenas uma parte da espessura do tendão está lesionada, mantendo-se alguma continuidade das suas fibras.
Numa rotura completa, também chamada rotura transfixante, a lesão atravessa toda a espessura do tendão.
Mas esta classificação é apenas uma parte da avaliação.
A dimensão da rotura, a sua localização, o número de tendões envolvidos e as características do próprio tendão e do músculo também podem ser relevantes.
Por isso, o simples facto de um exame identificar uma rotura não determina, por si só, a gravidade dos sintomas nem o tratamento necessário.
Sim.
Uma rotura da coifa dos rotadores não significa necessariamente que a pessoa deixe de conseguir movimentar o braço.
Dependendo do tendão envolvido, da extensão da lesão e do funcionamento das restantes estruturas do ombro, alguns movimentos podem permanecer preservados.
Noutros casos, pode existir sobretudo perda de força, dor em determinados movimentos ou dificuldade em tarefas específicas, em vez de uma incapacidade completa para elevar o braço.
Assim, conseguir movimentar o ombro não permite excluir uma rotura da coifa dos rotadores.
O diagnóstico não começa no exame de imagem, mas na avaliação clínica.
Na consulta, é importante perceber como os sintomas começaram, se existiam queixas anteriores, se ocorreu algum traumatismo e de que forma a situação está a afetar a utilização do braço.
O exame físico permite avaliar, entre outros aspetos, a mobilidade e a força do ombro e identificar sinais que possam sugerir quais as estruturas envolvidas.
A partir dessa avaliação, pode ser necessário recorrer a exames de imagem para confirmar e caracterizar a lesão.
Estes exames fornecem informações diferentes e não são necessariamente alternativas equivalentes entre si.
A radiografia não mostra diretamente a rotura dos tendões, mas permite avaliar as estruturas ósseas e a articulação e pode fornecer informação relevante no enquadramento global do ombro.
A ecografia permite observar os tendões da coifa e pode identificar roturas, tendo ainda a possibilidade de avaliar algumas estruturas durante o movimento.
A ressonância magnética permite caracterizar com maior detalhe a rotura e avaliar aspetos como a sua localização e extensão, bem como os tendões, músculos e outras estruturas do ombro.
A escolha dos exames necessários deve, por isso, ser orientada pela avaliação clínica e pela informação que é necessário obter em cada situação.
Não.
A identificação de uma rotura não significa automaticamente que seja necessário operar.
A decisão depende de vários fatores, incluindo as características e dimensão da rotura, a forma como surgiu, os sintomas, a idade, o nível de atividade e as necessidades funcionais de cada pessoa.
Em algumas situações pode ser indicada uma abordagem não cirúrgica, que pode incluir controlo dos sintomas e fisioterapia. Noutros casos, sobretudo perante determinadas características da lesão e do doente, o tratamento cirúrgico pode ser considerado.
Quando existe indicação para reparar a coifa dos rotadores, a artroscopia é uma das técnicas que pode ser utilizada para realizar a reparação através de uma abordagem minimamente invasiva.
Quando existem sintomas compatíveis, a avaliação clínica permite perceber se há suspeita de lesão e determinar se são necessários exames para a confirmar e caracterizar.
A partir daí, é possível definir a abordagem de acordo com as características da rotura e com as necessidades de cada pessoa.
Tem dor ou perda de força no ombro e suspeita de uma lesão da coifa? Uma avaliação especializada permite perceber a origem dos sintomas e qual a abordagem mais adequada para o seu caso.