
A dor no ombro é uma queixa muito frequente e pode surgir em diferentes idades e contextos. Pode aparecer de forma gradual, estar associada a determinados movimentos ou começar na sequência de um episódio específico.
Mas dizer apenas que “dói o ombro” não é suficiente para perceber o que está a acontecer.
A dor pode ter origem em diferentes estruturas e estar associada a problemas distintos. Por isso, aquilo que a acompanha e a forma como interfere com a função do ombro são informações importantes para compreender o que pode estar a acontecer.
Existem várias condições que podem provocar dor no ombro. Entre as mais frequentes ou relevantes encontram-se:
A coifa dos A coifa dos rotadores é um conjunto de músculos e tendões com um papel importante na estabilidade do ombro e em movimentos como elevar e rodar o braço.
Problemas que envolvem estas estruturas estão entre as possíveis causas de dor nesta região e podem incluir desde alterações dos tendões até roturas.
Dependendo da situação, as queixas podem tornar-se mais evidentes em determinados movimentos do braço ou interferir com algumas atividades habituais.
A bursa é uma pequena estrutura que ajuda a diminuir o atrito entre os tecidos durante o movimento do ombro.
Quando fica inflamada, pode surgir uma bursite, frequentemente associada a dor durante determinados movimentos, nomeadamente ao elevar o braço.
A bursite pode coexistir com alterações da coifa dos rotadores, razão pela qual os sintomas, isoladamente, nem sempre permitem distinguir uma situação da outra.
A capsulite adesiva, frequentemente conhecida como “ombro congelado”, caracteriza-se sobretudo por dor associada a uma perda progressiva da mobilidade do ombro.
Atividades simples do dia a dia, como vestir-se, colocar a mão atrás das costas ou alcançar um objeto numa prateleira, podem tornar-se progressivamente mais difíceis.
A limitação dos movimentos é, neste caso, uma característica particularmente importante.
A artrose corresponde ao desgaste progressivo da cartilagem de uma articulação.
No ombro, pode provocar dor, rigidez e diminuição da amplitude dos movimentos, geralmente com uma evolução progressiva.
Embora seja frequentemente associada ao envelhecimento, existem diferentes fatores que podem contribuir para o seu desenvolvimento, incluindo traumatismos prévios ou outras alterações da articulação.
A instabilidade ocorre quando as estruturas responsáveis por manter a articulação estável deixam de desempenhar adequadamente essa função.
Pode surgir, por exemplo, depois de uma luxação do ombro. Algumas pessoas passam a sentir que o ombro está instável, que “vai sair do lugar” ou apresentam episódios repetidos de luxação.
É uma situação particularmente relevante em pessoas jovens e fisicamente ativas, sobretudo quando existe história de traumatismo.
Uma queda, uma pancada direta, um movimento brusco ou uma lesão durante a prática desportiva também podem estar na origem da dor.
Dependendo do mecanismo do traumatismo, podem ocorrer lesões muito diferentes, incluindo fraturas, luxações ou lesões traumáticas da coifa dos rotadores.
Quando a dor começa imediatamente após um traumatismo, sobretudo se existir dificuldade em movimentar o braço, perda de força ou deformidade, é importante procurar avaliação médica.
Sim. No entanto, como diferentes problemas do ombro podem provocar sintomas semelhantes, a localização ou o tipo de dor, por si só, nem sempre permite identificar a sua causa.
A evolução das queixas e a forma como estas afetam a utilização do ombro ajudam a enquadrar as diferentes possibilidades durante a avaliação.
Quando deve procurar um ortopedista para avaliar a dor no ombro?
Não é necessário esperar que a dor se torne muito intensa para procurar perceber a sua causa.
É aconselhável procurar avaliação médica quando a dor persiste, agrava progressivamente ou começa a limitar os movimentos e as atividades do dia a dia.
A presença de perda de força, rigidez progressiva, episódios de instabilidade ou dor que surgiu depois de uma queda ou traumatismo também justifica uma avaliação.
Algumas situações merecem atenção mais rápida, nomeadamente quando, após um traumatismo, existe incapacidade para movimentar o braço, deformidade evidente, dor muito intensa ou perda súbita de força.
Como é feito o diagnóstico da dor no ombro?
O primeiro passo é perceber qual poderá ser a estrutura ou o problema responsável pelas queixas.
Para isso, a história dos sintomas e o exame físico permitem avaliar o funcionamento do ombro e orientar as hipóteses de diagnóstico.
Os exames complementares não são necessariamente os mesmos em todas as situações. Dependendo da suspeita clínica, podem ser solicitados exames de imagem para esclarecer a origem das queixas e caracterizar melhor o problema.
A dor no ombro pode estar relacionada com problemas muito diferentes.
Por isso, identificar corretamente a sua origem é fundamental para compreender o que está a causar os sintomas e definir o tratamento mais adequado para cada situação.
Se a sua dor no ombro persiste ou está a limitar os seus movimentos, procure uma avaliação especializada para compreender a sua origem e definir a abordagem mais adequada para si.