
A instabilidade do ombro é uma patologia complexa que exige uma abordagem personalizada. Como especialista em Ombro e Cotovelo, recebo frequentemente a questão: “Doutor, qual é a melhor técnica para o meu caso?”
Embora a cirurgia aberta (como a técnica de Latarjet) continue a ter indicações precisas, a cirurgia artroscópica afirmou-se como o padrão de ouro para a maioria dos doentes, aliando o rigor técnico à recuperação precoce.
A artroscopia não é apenas uma “cirurgia com furos”. É uma técnica de alta precisão que oferece vantagens biológicas e funcionais determinantes para o sucesso clínico.
Muitas vezes discute-se a agressividade sobre o músculo subescapular. É importante clarificar: em ambas as técnicas é necessário realizar o split (separação) das fibras deste músculo.
A minha abordagem: Utilizo a visualização artroscópica magnificada para realizar este passo com trauma tecidular mínimo. Esta precisão preserva a força muscular e a biomecânica da articulação, algo que a visão limitada da cirurgia aberta nem sempre permite.
A artroscopia permite-me explorar toda a articulação. É comum encontrarmos lesões associadas — como roturas da coifa ou lesões do labrum superior (SLAP) — que são tratadas no mesmo momento operatório. Na cirurgia aberta, estas lesões poderiam passar despercebidas por falta de acesso visual.
Menos Dor: A preservação dos tecidos moles traduz-se num pós-operatório muito mais confortável.
Cicatrizes Mínimas: Substituímos uma incisão de 5-7 cm por pequenos portais milimétricos, resultando num excelente desfecho estético.
Reabilitação Ativa: Ao minimizarmos a agressão cirúrgica, o doente pode iniciar o protocolo de fisioterapia mais cedo e com maior confiança.
| Diferencial Técnico | Cirurgia Artroscópica (Moderna) | Cirurgia Aberta (Tradicional) |
| Precisão no Subescapular | Split com visualização ótima e proteção de fibras | Split com exposição e visualização limitada |
| Abordagem Multilesão | Permite tratar várias lesões em simultâneo | Focada na lesão principal de estabilidade |
| Incisões e Estética | 3 a 4 portais milimétricos (quase invisíveis) | Incisão única e extensa (5 a 7 cm) |
| Recuperação de Amplitude | Risco de rigidez significativamente menor | Maior tendência a fibrose e rigidez inicial |
Não existe uma técnica “melhor” de forma isolada, mas sim a técnica certa para cada ombro. A decisão depende da análise da perda óssea, da idade e do nível de exigência desportiva do doente.
O meu compromisso é utilizar a inovação tecnológica para devolver a estabilidade ao seu ombro com a menor agressividade possível, garantindo que o seu retorno à vida ativa seja seguro e duradouro.
Palavra-Chave Principal: Instabilidade do Ombro Cirurgia.
Palavras-Chave Secundárias: Cirurgia Artroscópica Ombro, Latarjet vs Bankart, Recuperação Cirurgia Ombro.