
A fratura da cabeça do rádio, também chamada fratura da tacícula radial, é uma das fraturas mais comuns do cotovelo no adulto. Surge, em regra, depois de uma queda com a mão em apoio. Muitas destas fraturas têm bom prognóstico com tratamento conservador, mas algumas exigem cirurgia. Neste artigo explicamos como se reconhece, como se classifica e como se trata.
O rádio é um dos dois ossos do antebraço. A sua extremidade junto ao cotovelo, a cabeça do rádio (ou tacícula radial), articula com o úmero e com o cúbito. É esta articulação que permite rodar o antebraço (pronação e supinação) e que contribui para a estabilidade do cotovelo.
O mecanismo mais frequente é a queda sobre a mão estendida ou sobre o cotovelo, por exemplo numa queda de bicicleta, num acidente desportivo ou numa queda da própria altura. Em traumatismos de maior energia, a fratura pode associar-se a lesões dos ligamentos do cotovelo ou a uma luxação do cotovelo.
O diagnóstico começa na história do traumatismo e no exame físico, em que o ortopedista avalia a dor, o inchaço e a mobilidade do cotovelo e do antebraço. A radiografia confirma a fratura na maioria dos casos. Quando a fratura é complexa ou é necessário planear a cirurgia, pode ser pedida uma tomografia computorizada (TAC). A ressonância magnética pode ser útil se houver suspeita de lesões ligamentares associadas. O punho também deve ser examinado, porque algumas fraturas se associam a lesões da articulação entre o rádio e o cúbito.
A classificação de Mason é a mais utilizada e ajuda a decidir o tratamento:

É a opção habitual nas fraturas sem desvio (tipo I) e em alguns casos de tipo II sem bloqueio mecânico. Utiliza-se analgesia e, se necessário, um suspensor ou uma tala durante poucos dias para aliviar a dor, seguidos de mobilização precoce do cotovelo. Os movimentos precoces são importantes porque a rigidez é a complicação mais frequente. A fisioterapia ajuda a recuperar a amplitude de movimento e a força.
A cirurgia é considerada quando há desvio que bloqueia a mobilidade, quando a fratura é complexa ou quando existe instabilidade do cotovelo por lesões associadas. Consoante o tipo de fratura, pode fazer-se a fixação dos fragmentos com parafusos ou placa (osteossíntese) ou, quando a cabeça do rádio não é reconstruível, a sua substituição por uma prótese. A decisão é sempre individualizada e depende da fratura, das lesões associadas e do doente.
O tempo de recuperação varia com o tipo de fratura, com o tratamento e com a adesão à reabilitação. Nas fraturas sem desvio, a maioria dos doentes recupera uma boa função do cotovelo. O regresso às atividades diárias e ao desporto deve ser orientado pelo ortopedista, depois de a fratura consolidar e de a força e a mobilidade estarem recuperadas.
Deve procurar avaliação sempre que, depois de uma queda, o cotovelo ficar doloroso, inchado ou com dificuldade em estender ou rodar o antebraço. Se houver deformidade evidente ou perda de sensibilidade nos dedos, procure um serviço de urgência.
Sim. São dois nomes para a mesma estrutura, a extremidade do rádio junto ao cotovelo.
Não. As fraturas sem desvio tratam-se, em regra, sem cirurgia. A cirurgia reserva-se para fraturas com desvio que bloqueiam o movimento, fraturas complexas ou associadas a instabilidade.
Em muitas fraturas sem desvio basta uma imobilização breve, porque a mobilização precoce ajuda a evitar a rigidez. O ortopedista indica o que é adequado a cada caso.
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Este artigo tem carácter informativo e não substitui a avaliação médica individual.