Apesar de ser conhecida como “cotovelo de tenista”, a epicondilite lateral não é um problema exclusivo de quem pratica este desporto.
O nome ficou associado ao ténis porque os movimentos repetidos realizados durante a modalidade podem contribuir para o desenvolvimento do problema. No entanto, muitas pessoas com epicondilite nunca pegaram numa raquete.
A epicondilite é uma tendinopatia que pode afetar diferentes grupos de tendões junto ao cotovelo. Dependendo da região envolvida, pode ser lateral ou medial.
Neste artigo, vamos falar especificamente sobre a epicondilite lateral, também conhecida como epicondilite externa ou “cotovelo de tenista”.
Esta forma de epicondilite afeta os tendões dos músculos extensores do antebraço, na região onde estes se inserem na parte externa do cotovelo.
Embora a designação “epicondilite” possa sugerir um processo essencialmente inflamatório, o problema está relacionado sobretudo com alterações na estrutura do tendão e na sua capacidade de responder às cargas a que é sujeito.
É precisamente por isso que o tratamento não passa simplesmente por “retirar a inflamação”, mas por compreender o que está a sobrecarregar o tendão e ajudá-lo a recuperar a sua capacidade funcional.
Os tendões adaptam-se às cargas a que são sujeitos. Quando determinados gestos são repetidos com frequência ou existe um aumento de esforço para o qual o tendão não está preparado, essa capacidade de adaptação pode ser ultrapassada.
É neste contexto que a epicondilite pode desenvolver-se.
Movimentos que exigem agarrar com força, levantar ou transportar objetos, utilizar ferramentas, rodar o punho ou repetir frequentemente movimentos da mão e do antebraço podem aumentar a exigência sobre estes tendões.
Por isso, apesar da associação ao ténis, a epicondilite também pode surgir noutras modalidades desportivas e em profissões que envolvem trabalho manual repetitivo, como construção civil, carpintaria, pintura, mecânica ou jardinagem, entre outras.
Também pode aparecer fora do contexto profissional ou desportivo, sobretudo quando existe um aumento pouco habitual deste tipo de atividades num curto período de tempo.
Embora possa surgir em diferentes idades, é particularmente frequente na idade adulta, sobretudo entre os 30 e os 50 anos.
O sintoma mais característico é a dor na parte externa do cotovelo, junto à região onde os tendões extensores se inserem. Em algumas pessoas, esta dor pode estender-se ao longo do antebraço.
Inicialmente, as queixas podem tornar-se mais evidentes durante algumas atividades. Com a evolução dos sintomas, gestos simples como pegar numa chávena, abrir um frasco, rodar uma maçaneta, transportar um saco ou apertar a mão de alguém podem tornar-se dolorosos.
Também pode existir diminuição da força de preensão, tornando mais difícil agarrar ou manter objetos na mão. Movimentos que exigem rodar o antebraço ou utilizar o punho contra resistência podem igualmente desencadear ou agravar a dor.
Os sintomas tendem frequentemente a instalar-se de forma gradual e a sua intensidade pode variar ao longo do tempo.
A evolução da epicondilite pode variar. Em algumas pessoas, os sintomas melhoram progressivamente, enquanto noutras podem prolongar-se durante vários meses.
Quando as queixas persistem, é importante avaliar não apenas há quanto tempo existe dor, mas também que atividades continuam a desencadeá-la, quais as exigências do trabalho ou do desporto e que tratamentos já foram realizados.
Estes fatores ajudam a compreender a evolução do problema e a orientar os passos seguintes.
O diagnóstico da epicondilite é sobretudo clínico.
Durante a consulta, é importante perceber onde se localiza a dor, quando começou, que atividades a agravam e qual o impacto que está a ter no trabalho, no desporto ou nas atividades quotidianas.
O exame físico permite avaliar a região dolorosa e perceber como o cotovelo responde a determinados movimentos e à aplicação de resistência.
Os exames complementares não são obrigatórios em todas as situações. Podem ser solicitados quando existem dúvidas sobre o diagnóstico, sintomas atípicos ou necessidade de excluir outras causas de dor no cotovelo.
Na maioria dos casos, o tratamento começa por uma abordagem não cirúrgica.
Um dos primeiros objetivos é ajustar temporariamente as atividades que estão a provocar ou agravar os sintomas, sem que isso signifique necessariamente deixar de utilizar completamente o braço.
A fisioterapia pode ter um papel importante na recuperação, através de um programa de exercícios que permita trabalhar progressivamente a mobilidade, a força e a capacidade do tendão para tolerar novamente as cargas necessárias no dia a dia, no trabalho ou no desporto.
Dependendo das características e da evolução de cada caso, podem também ser consideradas outras opções terapêuticas, incluindo tratamentos infiltrativos.
Uma das opções que pode ser considerada em situações selecionadas é o plasma rico em plaquetas (PRP), preparado a partir do próprio sangue do doente e com uma concentração aumentada de plaquetas. A sua utilização procura aproveitar os fatores biológicos presentes nas plaquetas no contexto do tratamento do tendão.
A escolha do tratamento depende da duração das queixas, da limitação provocada pelos sintomas, das exigências funcionais e da resposta às abordagens já realizadas.
Na grande maioria das situações, não.
A cirurgia fica reservada a uma minoria de casos, geralmente quando os sintomas persistem apesar de um período adequado de tratamento não cirúrgico e continuam a provocar uma limitação relevante.
Antes de considerar uma intervenção, é importante confirmar o diagnóstico, avaliar a evolução das queixas e perceber de que forma os tratamentos realizados até então foram conduzidos e tolerados.
Por isso, ter sintomas durante vários meses não significa automaticamente que a cirurgia seja o passo seguinte.
Apesar do nome “cotovelo de tenista”, a epicondilite lateral pode afetar pessoas com atividades e níveis de exigência muito diferentes.
O tratamento deve, por isso, ser adaptado não apenas aos sintomas, mas também à sua evolução e às necessidades de cada pessoa. Na maioria dos casos, existem opções não cirúrgicas, ficando a cirurgia reservada a situações selecionadas.
A dor na parte externa do cotovelo persiste ou já está a interferir com atividades do dia a dia?
Uma avaliação especializada pode ajudar a perceber a origem da dor e a definir o tratamento mais adequado.