Perante uma fratura da clavícula, uma das primeiras perguntas é: é preciso operar? A resposta não é igual para todos os doentes. Muitas fraturas consolidam bem sem cirurgia, mas há situações em que a operação é uma opção a ponderar. Neste artigo resumimos o que mostram os estudos mais recentes e como se costuma tomar a decisão.
O tratamento não cirúrgico baseia-se na imobilização do braço com um suspensor (ou, menos frequentemente, uma ligadura em oito), no controlo da dor e numa reabilitação progressiva. Um estudo aleatorizado com 60 participantes comparou o suspensor simples com a ligadura em oito e verificou que, no primeiro dia, a dor foi maior com a ligadura em oito, que também é mais difícil de colocar.1
Uma meta-análise de seis ensaios aleatorizados (614 doentes) com fraturas desviadas do terço médio da clavícula concluiu que a fixação com placa reduz de forma importante o risco de não consolidação (pseudartrose). No entanto, um ano depois, a vantagem na função do ombro foi pequena: cerca de 4 pontos na escala de Constant e 5 pontos na escala DASH. As reoperações, incluindo a remoção da placa, foram semelhantes nos dois grupos (cerca de 17%). Os autores concluíram que não há evidência suficiente para recomendar a cirurgia a todos os doentes com este tipo de fratura.2
Outra revisão sistemática, com 20 estudos e 1760 doentes, também encontrou menos casos de não consolidação após cirurgia e uma diferença pequena, a favor da cirurgia, nas escalas de função a longo prazo, sem diferença no número de cirurgias de revisão.3
A decisão é individual e depende do doente e da fratura. Em geral, o ortopedista pondera a cirurgia quando existe, por exemplo, um desvio ou encurtamento marcante, fratura exposta, pele em risco por pressão do osso, lesão de nervos ou vasos, outras lesões associadas no mesmo membro, ou quando as exigências funcionais do doente são particularmente elevadas. A idade, a profissão, o desporto praticado e as preferências do doente também contam.
Quando se opta por operar, as duas técnicas mais usadas são a placa com parafusos e a cavilha intramedular. Uma meta-análise de ensaios aleatorizados não encontrou diferença na função a longo prazo entre as duas.4 Dentro da fixação com placa, também se discute a sua posição: duas meta-análises recentes compararam a placa colocada na face superior com a colocada na face anteroinferior da clavícula. Uma encontrou melhor pontuação de Constant e menos lesões nervosas menores com a placa anteroinferior;5 a outra não encontrou diferenças significativas entre as duas.6 A escolha depende do traço de fratura e da experiência do cirurgião.
Não existe uma resposta única. A decisão deve resultar de uma avaliação clínica e das radiografias, de uma conversa franca sobre vantagens e riscos de cada opção e das expectativas do doente. Se tem uma fratura da clavícula e quer perceber qual o caminho mais adequado ao seu caso, pode saber mais na página sobre fratura da clavícula.
Pode também conhecer o percurso do Dr. Luís Henrique Barros, ortopedista no Porto com atividade em ombro e cotovelo, ou marcar uma consulta por WhatsApp ou através da página de contactos.
Informação de caráter geral, que não substitui avaliação médica individualizada.