A epicondilite medial, conhecida como cotovelo de golfista, é uma tendinopatia da inserção dos músculos flexores do punho e pronadores do antebraço no lado interno do cotovelo. Provoca dor localizada e, por vezes, dificuldade em agarrar ou levantar objetos. Este artigo explica os sintomas, como é feito o diagnóstico e quais as opções de tratamento. Para uma descrição geral, consulte também a página sobre epicondilite medial.
O epicôndilo medial é a saliência óssea do lado interno do cotovelo, onde se inserem vários músculos que fletem o punho e rodam o antebraço (pronação). A sobrecarga repetida destes tendões pode levar a alterações degenerativas, mais do que a uma inflamação clássica, razão pela qual se prefere falar em tendinopatia. Segundo uma revisão de 2026, trata-se de uma situação crónica, ligada à carga repetida e a microtraumatismos, em que a exigência sobre o tendão excede a sua capacidade de reparação.1
Apesar do nome, não afeta apenas quem joga golfe. De acordo com um estudo anatómico publicado no Journal of Hand Surgery, é uma tendinose frequente em atletas de lançamento e de golfe.2 Pode também surgir em atividades profissionais ou domésticas que impliquem gestos repetidos de agarrar, flexão do punho ou rotação do antebraço. Um estudo populacional da Coreia do Sul, com dados de 2013 a 2017, indicou que a epicondilite medial é menos frequente do que a lateral, mas que a sua incidência e prevalência aumentaram no período analisado, sendo diagnosticada mais vezes em mulheres do que em homens.3
É a “prima” menos estudada da epicondilite lateral (cotovelo de tenista), que afeta o lado externo do cotovelo. Uma revisão sistemática de 2026 salienta que a epicondilite medial continua menos investigada do que a lateral.4
Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Entre os mais habituais encontram-se:
Em algumas pessoas podem surgir também formigueiro ou dormência nos dedos anelar e mínimo, o que pode indicar irritação do nervo cubital, que passa junto ao epicôndilo medial. Segundo uma revisão sistemática, a neurite do cubital coexiste por vezes com a epicondilite medial.5 Estes sintomas devem ser sempre valorizados na avaliação.
O diagnóstico é essencialmente clínico. De acordo com a revisão de Tahir e colegas (2026), baseia-se sobretudo na avaliação clínica, com recurso a exames de imagem de forma seletiva, para definir a extensão da lesão ou excluir outras causas de dor no lado interno do cotovelo.1
O médico pergunta sobre o início da dor, as atividades profissionais e desportivas, os gestos que a provocam e a presença de sintomas neurológicos. No exame objetivo, avalia-se a dor à palpação sobre a inserção dos tendões flexores, a dor com a flexão do punho e a pronação do antebraço contra resistência, a mobilidade e a estabilidade do cotovelo e o estado do nervo cubital.
A radiografia, a ecografia e a ressonância magnética podem ser pedidas quando o diagnóstico é incerto, quando existe suspeita de outras lesões ou quando o tratamento inicial não resulta. Uma revisão radiológica de 2026 descreve o papel das diferentes modalidades de imagem na avaliação das lesões de sobrecarga do cotovelo, incluindo a epicondilite medial.6 Nem todas as pessoas precisam de exames de imagem.
Uma revisão narrativa de 2025 refere que as causas não traumáticas de dor medial do cotovelo podem ter apresentações semelhantes, o que torna o diagnóstico um desafio. Além da epicondilite medial, incluem lesão do ligamento colateral ulnar, síndrome do túnel cubital, ressalto do tricípite medial e conflito posteromedial.7 Por isso, a avaliação por um especialista ajuda a distinguir estas situações, que podem exigir tratamentos diferentes.
Segundo Tahir e colegas (2026), a abordagem segue um esquema progressivo, centrado no tratamento conservador (repouso relativo, fisioterapia e programas graduais de fortalecimento), com medidas adicionais quando os sintomas persistem. A cirurgia é reservada para casos crónicos que não respondem ao tratamento.1
Quanto aos exercícios, uma revisão sistemática de 2026 analisou o exercício excêntrico na epicondilite medial (5 estudos, 143 doentes). Os autores observaram reduções da dor e melhorias funcionais em cada grupo, sobretudo quando o exercício integrava um tratamento multimodal. No entanto, a certeza global da evidência foi considerada baixa, por haver poucos estudos, pequenos e com protocolos diferentes, e são necessários ensaios de maior qualidade.4
Quando os sintomas persistem apesar do tratamento inicial, podem ser consideradas infiltrações do cotovelo. Uma revisão de 2024 da Orthoregeneration Network, baseada em opinião de peritos, refere que as preparações autólogas, como o sangue autólogo e o plasma rico em plaquetas (PRP), mostraram resultados positivos em tendinopatias que não respondem ao tratamento inicial.8 Trata-se de evidência de nível baixo, pelo que a indicação deve ser discutida caso a caso. A mesma preocupação aplica-se às infiltrações em geral: numa revisão sistemática sobre cirurgia, apenas um de quatro estudos que avaliaram infiltrações prévias encontrou associação negativa com os resultados cirúrgicos.5
A cirurgia pode ser considerada quando o tratamento conservador não resulta. Uma revisão sistemática de 2025 incluiu 17 estudos cirúrgicos (442 doentes), na sua maioria retrospetivos. A mediana do tempo até à cirurgia foi de 6 meses de tratamento não cirúrgico sem sucesso. Os doentes operados apresentaram melhoria dos resultados reportados por eles próprios e a taxa global de complicações foi de 3,1%. Os autores sublinham, contudo, a escassez de investigação de elevada qualidade sobre a cirurgia e concluem que nem as infiltrações prévias nem a neurite do cubital pré-existente parecem alterar significativamente os resultados.5
Na cirurgia, o objetivo é remover o tecido tendinoso alterado na inserção do epicôndilo, preservando as estruturas vizinhas. Um estudo anatómico em cadáver procurou mapear as inserções dos tendões flexores e do ligamento colateral medial, de forma a orientar o desbridamento com segurança.2 A técnica é escolhida pelo cirurgião em função de cada caso, incluindo a eventual necessidade de abordar o nervo cubital.
Procure avaliação médica se tiver:
Não. Ambas são tendinopatias do cotovelo, mas a medial afeta a inserção dos tendões flexores no lado interno, e a lateral a inserção dos tendões extensores no lado externo, o chamado cotovelo de tenista.
Nem sempre. O diagnóstico é sobretudo clínico, e os exames de imagem são usados de forma seletiva, por exemplo quando há dúvida diagnóstica ou o tratamento inicial não resulta.
Depende da intensidade da dor e da atividade. Em geral, procura-se adaptar a carga em vez de parar por completo, mas a decisão deve ser individual e orientada por um profissional de saúde.
Varia de pessoa para pessoa, com a duração dos sintomas, a atividade exercida e a resposta ao tratamento. Por se tratar de uma tendinopatia crónica, a recuperação pode ser gradual.
Se tem dor no lado interno do cotovelo e pretende uma avaliação, pode conhecer o Dr. Luís Henrique Barros ou consultar os contactos para marcar consulta.
Referências identificadas através do PubMed.
Este artigo tem carácter informativo e não substitui a consulta médica nem a avaliação individual por um profissional de saúde.